Uma estória de Natal

Prezado(a) leitor(a),

Vivemos tempos conturbados, de crise total e civilizacional!? Basta ligar a televisão ou uma página de internet para ver como vai o nosso mundo e as nossas mentes. No entanto, citando um grande mestre, “agora agora é Dezembro e, com certeza, tudo vai se modificar (…). Claro, agora neste mês todos os moradores falam a mesma língua, têm um único Objetivo. É mês de Amor, de Bondade e de festa!” É mês de Natal“, o instante em que a Grande Luz se manifestou no mundo.

“Todos vão comprar, comprar, comprar. Todos desejam receber o presente, troco das suas compras. Sem dúvida, o presente esperado é a Paz interior, que têm aqueles que dão. Todos vão aproveitar a oportunidade das circunstâncias que este mês oferece. Todos vão comprar, comprar, comprar. Todos desejam receber o presente, troco de suas compras. Sem dúvida, o presente esperado é a Paz interior, que têm aqueles que dão. Todos vão aproveitar a oportunidade das circunstâncias que este mês oferece”.

No presente post queremos contar aos nossos prezados leitores, a história de como surgiram os presépios. Quantas vezes os admiramos de pasmo a representação e o mito que estão a representar.

Reza a história que a origem dos primeiros presépios conhecidos remontam aos tempos do arquétipo da Bondade, São Francisco de Assis.

Corria o ano de 1223 quando Francesco, criou em Greccio, Itália, o primeiro presépio da história. Não demorou para que a iniciativa se espalhasse, transformando-se em costume natalício e dando origem aos presépios esculpidos, que se popularizaram nas igrejas por volta do século XVI por obra dos padres jesuítas.

Em meados de Dezembro de 1223, Francesco decidiu deixar o eremitério de Rieti, onde vivia, para viajar até Greccio, com intuito de passar o Natal. Se a narrativa de um pescador que lhe deu uma ave marinha servir de descrição para esta jornada, Francisco terá viajado de barco.

Durante esse Natal, Greccio testemunhou um dos mais comoventes e reveladores incidentes da vida de Francisco. Cerca de duas semanas antes da celebração, Francesco visitou um tal João de Greccio, alguém que conhecia, e pediu-lhe que criasse uma gruta à semelhança de Belém, com uma manjedoura cheia de palha, uma vaca e um burro, além de uma imagem do Menino Jesus.  Francisco colocou-a na zona do coro, perto do altar. Na noite de Natal, os habitantes reuniram-se à luz dos archotes para contemplar a cena. Os frades cantaram as Vigílias da Natividade, que naquela altura precediam imediatamente a Missa do Galo. Francisco serviu de diácono na missa e, depois de cantar o Evangelho, entrou no púlpito e pregou sobre a Natividade do Salvador.

Tomado pelo Sentir, Francesco pronunciou as palavras “Bebé de Belém” de uma forma que levou quem escutava imaginar que ouvia o balir das ovelhas em torno da cena da manjedoura. Francesco pegou na figura do Menino Jesus segurou-a nos braços e apresentou-a para a devoção dos presentes. João de Greccio imaginou ver a imagem a ganhar vida e a renascer como Menino Jesus. No final do serviço, os presentes entraram no santuário e ficaram com pedaços de palha, que guardaram como relíquias. Circularam relatos que diziam que os animais domésticos doentes que comiam a palha recuperavam a saúde e que as mulheres em trabalho de parto que eram tocadas por ela tinham partos mais fáceis. O Pobre de Assis preparava-se para ser um santo milagreiro dois anos antes de morrer. Após a sua canonização, um altar em sua honra seria construído sobre o local das manjedoura de Greccio.

A Humildade do Filho de Deus, que se tornara uma criança no estábulo, entre a pobreza e os animais domésticos, era um modelo de perfeição espiritual para Francesco. Aquele que morrera na cruz pelos pecados do mundo escolhera nascer com a forma de uma criança enfermiça, à mercê de todos. Francisco queria que os animais, e até mesmo a Criação inanimada, partilhassem a celebração do Natal. Em certa ocasião, pouco tempo depois, declarou que, se alguma vez se encontrasse com o imperador, iria pedir-lhe que proclamasse uma lei que obrigasse o povo a deixar sementes para os pássaros no Natal e que dessem aos animais domésticos uma dose extra de ração. Em 1226, quando o dia de Natal coincidiu com uma sexta-feira, um dia tradicional de jejum, o irmão Morico falou sobre esse dia como sendo de penitência, esquecendo-se de que se trava da celebração de Natal. Francesco chamou-lhe a atenção e ordenou-lhe que nunca mais se referisse ao dia 25 de dezembro como sendo ‘sexta-feira’, mas sim sempre como ‘Natal’. “Desejaria que em semelhante dia até as paredes comessem carne, mas, como não é possível, sejam ao menos untadas com gordura!” Francesco permaneceu em Greccio até à Primavera, altura em que o tempo e a saúde melhoraram o suficiente para que fizesse um derradeiro circuito de pregação em Marche. Seria a sua última viagem pastoral.

Para terminarmos esta pequena estória da história, deixamos sempre o desejo que o Sentir gerado nesta época permaneça nos corações de cada um de nós. Um feliz Natal a todos.


Referências

THOMPSON, Augustine (2012) São Francisco: o homem por trás da lenda – Lisboa: Casa das Letras.

CHARURI, Celso (2008) Como vai a sua mente? – São Paulo: Cooperativa Pró-Vida.

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