Uma singela Homenagem

Celebramos hoje mais uma Sexta-Feira Santa, cujo zenith será na no domingo, com a celebração da Páscoa.

Nicolas Poussain _ The Last Supper

Conforme já tivemos ocasião de mencionar num post anterior, “Esta comemoração representa um processo simbólico e interior de voltar a um estado de reintegração da Vida; ressuscitar para a Vida, livre dos apegos do mundo. Permitamos, pois, que a Vontade, o Amor e a Sabedoria, que se crucificaram por nós no mundo, também seja crucificados em cada um de nós.

Neste post pretendemos render a nossa Humilde Homenagem a Cristo e a todo o significado e simbolismo da Páscoa. Para isso trazemos um texto da autoria do filosófo brasileiro Huberto Rohden da sua obra “Escalando o Himalaia”.

Cristo – esse desconhecido

Há quase [mais] dois mil anos

Que os homens falam de ti, ó Cristo!

E antes que no cenário histórico aparecesses,

Por dois milênios haviam os videntes

Vislumbrando o teu advento.

Todos falam de ti, ó Cristo

E ninguém te conhece, ó enigma dos enigmas!

Supremo Desconhecido do Universo!

Todos julgam conhecer-te

E todos ignoram a sua própria ignorância…

Muitos sabem o que disseste e fizeste

Ninguém sabe o que és…

Os eruditos analisam as tuas humanas horizontalidades

Mas não valem intuir a tua divina verticalidade.

De tanto falarem de ti,

Não têm tempo para calarem de ti …

O ruído estéril do intelecto

Asfixia o silêncio fecundo do Espírito.

A prostituição mental e verbal

Profana a virgindade da alma espiritual,

Dessa alma que só pode conceber o Verbo

Na sacralidade de um vasto silêncio.

E por tudo isto querem os homens substituir o teu Evangelho

Por numerosas legiões de “-ismos”,

Eruditamente engendrados,

Deslumbrantemente elaborados,

Ruidosamente proclamados.

Eu, porém, meu eterno Cristo,

Anseio por descobrir a tua alma divina

Dentro do corpo humano do Evangelho.

Procuro romper esse invólucro verbal

E fundir-me em ti na experiência vital do que És.

Quero conhecer o que disseste e fizeste

Por aquilo que tu És…

Dentro do átomo do teu Evangelho

Dormita a energia nuclear do divino Logos,

Esse grande Desconhecido de que todos falam

E que todos ignoram…

Não! não quero saber de ti

Novos “ismos” periféricos

Quero viver dinamicamente

A tua realidade central!…

Huberto Rohden

Aproveitemos, pois, esta bela oportunidade para entrarmos em contacto com a Natureza, com a nossa vida interior para nos tornarmos na melhor versão de nós mesmos e, assim, florescer como um lírio que nasce no meio do lodo. Sim, nós podemos ser mais e melhores, mas se não acreditar numa mudança, senão aquela do envelhecimento, trazida pelo “tempo” (espaço percorrido), a cada Páscoa nada mais será do uma data no calendário, uma confraternização, uma celebração com muito pouca vida. Páscoa é uma celebração do princípio divino da Vida.

Obras consultadas

Bíblia Vol. I. (novo Testamento, os quatro Evangelhos)

Huberto Rohden. O Cristo Cósmico e os Essénios. 2ª Edição. São Paulo: Martin Claret 2011.

Huberto Rohden. Escalando o Himalaia. 4ª Edição. São Paulo: Martin Claret 2000

Degustação Filosófica – Simbolismo profundo da Páscoa. 

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