Celebramos hoje mais uma Sexta-Feira Santa, cujo zenith será na no domingo, com a celebração da Páscoa.

Conforme já tivemos ocasião de mencionar num post anterior, “Esta comemoração representa um processo simbólico e interior de voltar a um estado de reintegração da Vida; ressuscitar para a Vida, livre dos apegos do mundo. Permitamos, pois, que a Vontade, o Amor e a Sabedoria, que se crucificaram por nós no mundo, também seja crucificados em cada um de nós.
Neste post pretendemos render a nossa Humilde Homenagem a Cristo e a todo o significado e simbolismo da Páscoa. Para isso trazemos um texto da autoria do filosófo brasileiro Huberto Rohden da sua obra “Escalando o Himalaia”.
Cristo – esse desconhecido
Huberto RohdenHá quase [mais] dois mil anos
Que os homens falam de ti, ó Cristo!
E antes que no cenário histórico aparecesses,
Por dois milênios haviam os videntes
Vislumbrando o teu advento.
Todos falam de ti, ó Cristo
E ninguém te conhece, ó enigma dos enigmas!
Supremo Desconhecido do Universo!
Todos julgam conhecer-te
E todos ignoram a sua própria ignorância…
Muitos sabem o que disseste e fizeste
Ninguém sabe o que és…
Os eruditos analisam as tuas humanas horizontalidades
Mas não valem intuir a tua divina verticalidade.
De tanto falarem de ti,
Não têm tempo para calarem de ti …
O ruído estéril do intelecto
Asfixia o silêncio fecundo do Espírito.
A prostituição mental e verbal
Profana a virgindade da alma espiritual,
Dessa alma que só pode conceber o Verbo
Na sacralidade de um vasto silêncio.
E por tudo isto querem os homens substituir o teu Evangelho
Por numerosas legiões de “-ismos”,
Eruditamente engendrados,
Deslumbrantemente elaborados,
Ruidosamente proclamados.
Eu, porém, meu eterno Cristo,
Anseio por descobrir a tua alma divina
Dentro do corpo humano do Evangelho.
Procuro romper esse invólucro verbal
E fundir-me em ti na experiência vital do que És.
Quero conhecer o que disseste e fizeste
Por aquilo que tu És…
Dentro do átomo do teu Evangelho
Dormita a energia nuclear do divino Logos,
Esse grande Desconhecido de que todos falam
E que todos ignoram…
Não! não quero saber de ti
Novos “ismos” periféricos
Quero viver dinamicamente
A tua realidade central!…
Aproveitemos, pois, esta bela oportunidade para entrarmos em contacto com a Natureza, com a nossa vida interior para nos tornarmos na melhor versão de nós mesmos e, assim, florescer como um lírio que nasce no meio do lodo. Sim, nós podemos ser mais e melhores, mas se não acreditar numa mudança, senão aquela do envelhecimento, trazida pelo “tempo” (espaço percorrido), a cada Páscoa nada mais será do uma data no calendário, uma confraternização, uma celebração com muito pouca vida. Páscoa é uma celebração do princípio divino da Vida.
Obras consultadas
Bíblia Vol. I. (novo Testamento, os quatro Evangelhos)
Huberto Rohden. O Cristo Cósmico e os Essénios. 2ª Edição. São Paulo: Martin Claret 2011.
Huberto Rohden. Escalando o Himalaia. 4ª Edição. São Paulo: Martin Claret 2000
Degustação Filosófica – Simbolismo profundo da Páscoa.