Quando a Geopolítica entra na sala de reuniões: o que 44 horas me ensinaram sobre decidir num mundo instável

A pergunta que ninguém quer fazer em voz alta

Imagine a cena: uma administração reunida, resultados sólidos, planos de expansão aprovados. E então alguém pergunta — “E se amanhã fechar o Estreito de Ormuz? E se as sanções atingirem o nosso principal fornecedor? E se a próxima eleição, a oito mil quilómetros daqui, alterar as regras do nosso mercado?”

Silêncio.

Na maioria das organizações, esta pergunta nunca chega a ser feita. Não por falta de inteligência — mas por falta de método. O risco geopolítico continua a ser tratado como ruído de fundo: algo que se lê nos jornais de manhã e se esquece na primeira reunião do dia.

Foi para transformar esse ruído em sinal que, entre 20 de março e 11 de abril de 2025, integrei o programa Risco Geopolítico e Estratégia para Executivos, promovido pela Porto Business School em parceria com o Instituto da Defesa Nacional — 44 horas letivas que mudaram, de forma duradoura, a minha grelha de leitura do mundo.

Do mapa ao balanço: a jornada

Confesso: entrei no programa com a convicção de quem trabalha diariamente com geopolítica e relações internacionais. Saí com a humildade de quem percebeu que conhecer o mundo e saber decidir nele são competências distintas.

O percurso foi desenhado precisamente para construir essa ponte. De um lado, a análise rigorosa do sistema internacional — grandes potências, teatros de tensão, cadeias de abastecimento críticas, recursos estratégicos. Do outro, as ferramentas de gestão que permitem converter essa análise em decisões: avaliação e mitigação de risco, cenarização, governance e resiliência organizacional.

E, no centro, três descobertas que levo comigo para cada projeto:

1. A Teoria dos Jogos não é teoria — é vantagem competitiva

Antecipar o comportamento de Estados, reguladores, concorrentes e parceiros em ambientes de cooperação e conflito não é um exercício de intuição. É método, é disciplina, é matemática aplicada à estratégia. Quem domina esta linguagem negoceia melhor, investe melhor e erra menos.

2. A resiliência constrói-se antes da crise

Quando a disrupção chega — e chega sempre — já é tarde para desenhar o plano. As organizações que sobrevivem aos choques geopolíticos são as que trataram o risco como processo transversal e contínuo, do terreno ao conselho de administração, e não como um anexo do relatório anual.

3. Quem lê apenas o balanço e ignora o mapa, decide às cegas

A fronteira entre geopolítica e estratégia empresarial deixou de existir. Tarifas, sanções, transições energéticas, disputas tecnológicas, rotas marítimas contestadas — tudo isto se reflete, mais cedo ou mais tarde, na demonstração de resultados. A questão não é se afeta o seu negócio; é quando e quanto.

As pessoas fazem o programa

Estaríamos a ser injustos ao reduzir esta experiência ao conteúdo. O corpo docente — que cruzou a excelência académica da Porto Business School com a experiência singular do Instituto da Defesa Nacional — trouxe para a sala aquilo que nenhum manual oferece: o contacto direto com quem pensa a segurança e a defesa nacional todos os dias.

E os colegas de percurso, vindos de setores tão diversos como a indústria, a banca, a energia ou a consultoria, transformaram cada sessão num exercício vivo de análise estratégica multissetorial. Porque o risco geopolítico nunca atinge um setor de cada vez.

O que isto significa para quem trabalha connosco

Na RMP Consulting Services, acreditamos que crafting solutions for a better world exige, antes de tudo, compreender o mundo em toda a sua complexidade. Este programa reforça a nossa capacidade de apoiar organizações e decisores em três frentes:

  • Análise geopolítica aplicada — traduzir dinâmicas internacionais em implicações concretas para o seu negócio;
  • Gestão estratégica de risco — cenarização, antecipação e planos de resiliência à medida;
  • Negociação e mediação — agora reforçadas com o rigor analítico da Teoria dos Jogos.

A pergunta final — para si

Volto à cena inicial: a sala de reuniões, os planos aprovados, a pergunta incómoda.

Na sua organização, o risco geopolítico já tem lugar à mesa das decisões estratégicas? Ou continua a ser o ruído de fundo que todos ouvem e ninguém escuta?

Se a resposta o inquieta, talvez seja o momento certo para conversarmos.

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